Era uma vez os Irmãos Grimm e seus contos bicentenários

Olá, amigos leitores e visualizadores

Depois desse recesso de duas semanas volto cheio de histórias para contar. Recentemente fui ao cinema e assisti a nova versão cinematográfica para a estória da Branca de Neve, sendo esta a segunda empreitada da ‘menina branca como a neve’ nos cinemas este ano.

Mesmo sendo este o filme mais comentado do momento, não é este o motivo principal que me fez escrever. A real motivação é muito maior que este filme ou Espelho, Espelho Meu, filme com a mesma temática que estreou no mês de Abril. Adaptações dos contos dos Irmãos Grimm estão por toda a parte, sendo nas telonas ou na TV.  Mas qual é o motivo para tantas referências aos contos dos Grimm em toda parte? Simples: os 200 anos dos Contos dos Irmãos Grimm, também conhecido como ‘Contos de Fadas’.

Os “Contos da Infância e do Lar”, coletânea de histórias lançada em 1812 pelos Irmãos Grimm, mudou o rumo da literatura, contribuindo significativamente para o modo como produzimos fantasia atualmente. Jacob e Wihelm Grimm dedicaram mais de uma década com pesquisas sobre o folclore alemão. Tais pesquisas possibilitaram que os irmãos coletassem mais de 2.600 contos que vinham sido contatos e recontados verbalmente desde a Idade Média.

Originalmente, as histórias não tinham nenhum apelo infantil, muito pelo contrário. Violentos e com valores questionáveis, tais estórias contadas em tavernas e entre os viajantes, eram ricas em elementos folclóricos, personagens fascinantes e cenários fantásticos. Com propósito acadêmico, Jacob e Wihelm, publicaram os Contos com 900 tiragens, inicialmente. Foram repaginados e transcritos para uma linguagem mais infantil, porém, ser perder sua essência mágica, personagens e sem retirar qualquer aspecto fantástico destes. Justificaram tal escolha afirmando o propósito de perpetuar o folclore alemão através das crianças.

Como se já não bastasse toda a magia em torno dos contos, surgiram vários mitos sobre os próprios irmãos. Diz-se que ambos eram feiticeiros, ou simpatizantes de magia negra. Há também relatos de que eles eram de uma família mágica. Talvez essa seja a inspiração para a série Grimm.

Grimm: Série de suspense policial inspirada nos contos germânicos originais

Em resumo, é como eu defino Grimm . A série policial está confirmada para estrear a sua segunda temporada na próxima fall season. O mote da série, exibida originalmente pela NBC, aponta os contos dos Irmãos Grimm como sendo relatos, disfarçados de contos de fadas, de acontecimentos ligados a seres monstruosos. Na trama, toda a linhagem de sangue dos Grimm podem ver esses seres, sendo assim, os Grimm são os únicos que podem caçar tais criaturas.

O personagem principal da série é Nick Burkhardt (David Giuntoli), policial com certo faro para encontrar os ‘caras maus’. Na verdade, ele pode enxergar quem eles são de verdade, caso o bandito em questão seja um dos seres caçados por sua família há 200 anos. Tudo se revela quando sua tia se vê obrigada a contar a ele o legado de família e o que precisa saber sobre as criaturas que enxerga.

Se procura por contos de fadas, creio que não encontrará nada disto na série. Ao invés de buscar referências na obra final dos Irmãos Grimm, a série é toda fundamentada nos contos adultos que deram origem a obra infantil. Há o misticismo, mas não há fadas nem finais felizes. Apenas crimes a serem solucionados pelo ultimo Grimm em atividade. O único que pode entender a mensagem dos seus antepassados famosos.

Como não são consideradas as referências ‘modernas’, os nomes das criaturas não foram traduzidos dos dialetos germânicos. Ou seja, o material que fundamentou a pesquisa dos Grimm forneceram os nomes das criaturas mostradas na série, como os Jägerbär (ursos), Blutbad (lobos), Hexenbiest (bruxas), Mausehertz (ratos), Bauerschwein (porcos) e assim por diante.

Se por um lado as fábulas estão muito bem representadas nesta série, os famigerados ‘contos de fadas’ dão o tom de outra série.

Once Upon A Time…

Nome mais que apropriado para a adaptação audiovisual com o maior número de elementos e contos em uma mesma produção até agora. Na trama, Emma Swan (Jennifer Morrison) recebe uma visita muito especial no seu aniversário de 28 anos. O filho que ela abandonou quando bebê bate a sua porta dizendo que ela é a única que pode quebrar a maldição que assola Storybrooke.

Storybrooke é a cidade para onde foram mandados todos os personagens de contos de fadas que conhecemos. Porém, as suas histórias são diferentes do que nos foram contadas e todas estão interligadas entre si. A cada episódio conhecemos a história de cada personagem tanto no nosso mundo como nesta realidade alternativa que são os contos de fadas.

Diferentemente da forma que são apresentados os contos, em Once Upon A Time a história tem vários níveis, deixando a trama envolvente e com um apelo mais adulto, sem deixar de lado a fantasia. E está aí a magia desta série: mesmo conhecendo todas as histórias, ela se renova, se transforma e nos faz crer no fantástico.

Mesmo com a acusação de plágio por parte dos fãs da HQ Fables (Fábulas), da Vertigo a série superou todas as expectativas quanto a público, desde sua estreia em Outubro de 2011 pela ABC. Com a sua segunda temporada confirmada, poderemos esperar novos personagens dos contos dos Grimm que ainda não apareceram, como A Pequena Sereia e tantos outros.

Aventura, romance, mas com um drama muito real para um conto de fadas, além de uma Evil Queen deliciosamente sádica e movida pela vingança contra a sua enteada, a valente Branca de Neve. Vingança, eis o ponto que diferencia a relação Branca de Neve e Rainha Má de Once Upon A Time com a mais nova versão do conto para os cinemas.

Enquanto Regina (Lana Parrilla) quer se vingar de Snow White (Ginnifer Goodwin), outra rainha quer a beleza e juventude eterna.

Branca de Neve x Rainha Má… há e tem o Caçador

Ao ser questionada sobre Branca de Neve e o Caçador (veja o trailer) a primeira palavra que me vem a mente é ‘beleza’. Não estou fazendo referência a moral da história e sim ao que o filme é plasticamente: belo. E ouso dizer que os roteiristas e produtores do filme não aprenderam nada com a história contada pelos Irmãos Grimm sobre como a beleza por si só é nociva.

Eu tive a nítida impressão que o roteiro foi moldado ao redor do visual mágico. Sim, é um filme sobre beleza acima de tudo, porque vi a proposta do resgate ao conto original da Branca de Neve se perder no decorrer da trama.

A Branca de Neve e os Sete Anões (1937) de Walt Disney está todo envolvo em um aura de pura magia, encanto e delicadeza, mas a beleza do conto de fadas vi recentemente no cinema. Aconselho quem for ao cinema não ligar para roteiro, pois a história em si é tão rasa quanto uma história infantil.

Como sempre digo, “A sua experiência no cinema depende muito do seu grau de expectativa”. Sai de lá parcialmente decepcionada. Esperava uma evolução do conto da Branca de Neve, uma história mais densa, melhor explorada e mais complexa. Saí maravilhada com o que vi, mas não que a personagem título tivesse contribuído para isso.

Criticas e reviews sobre este filme podemos ver aos montes em qualquer site, mas este não é o caminho desta coluna. Analisando as obras audiovisuais citadas acima justifico a parcial decepção que tive no cinema. Parcial levando em consideração ao alto grau de fé que tinha no resgate aos “Contos da Infância e do Lar”. Entretanto, as gratas surpresas que este filme me proporcionou fizeram valer a pena aqueles 127 minutos de abstração. A beleza da batalha limpa logo no inicio do filme, o encanto dos tempos de prosperidade do reino, e a atmosfera encantada tanto na Floresta Negra quanto no recanto mágico dos anões.

Seria injusto não mencionar o que não foi surpresa para mim: uma Rainha Má saída diretamente dos pesadelos das donzelas, tão maligna quanto linda. Pode ter sido maldade minha achar isso, mas a Rainha Ravena (Charlize Theron) não teria o que temer em relação a beleza de Branca de Neve (Kristen Stewart). O quão forçado foi este comparativo que me pareceu uma piada de mau gosto colocar as duas frente a frente no embate final. Sozinha, envolta de magia, rodeada por fadas e borboletas não tem como não achar a Branca de Neve especial, mas este foi o único momento que tive essa falsa impressão.

Foi o filme da Rainha Ravena, ela reinou absoluta na trama. O esforço para mostrar uma Branca de Neve especial, tal como passar a ideia de ela ser a Escolhida foi tão infrutífero quanto atribuir algum encanto ao que seria o equivalente ao príncipe da história, o conde William (Sam Claflin). Ao passo disto, o Caçador (Chris Hemsworth) fez valer a menção no título do filme, não somente pela beleza mas as motivações, atos e símbolo de força, mesmo sendo tão vitima da rainha como qualquer outro. Não favorecido pelo roteiro, o Caçador foi empurrado para um triangulo amoroso tão sem propósito como a presença do irmão da Rainha no filme.

No entanto, toda vez que me via chateada com algo que não me agradava nas telas, a magia da beleza me situava dentro do conto de fadas.

Posso não ter saído plenamente satisfeita com o filme, mas este serviu sim como uma linda homenagem ao bicentenário da fantasia em contos e fábulas.

Aliás, as comemorações ao bicentenário não chegaram ao fim. No ano que vem, um certo fazendeiro vai subir em um pé de feijão

Um João e o Pé de Feijão por Bryan Singer

No dia 22 de março será a estréia mundial do filme Jack The Giant Killer, obviamente inspirado no conto de João e o Pé de Feijão. Na trama, os feijões mágicos não devem ser expostos à luz. Inevitavelmente isto acontece, o que deixa uma princesa em perigo e um Jack em apuros.

No elenco teremos grandes nomes como Nicholas Hoult como Jack, além de Eleanor Tomlinson, Ewan McGregor, Eddie Marsan, Stanley Tucci e Ian McShane.

Com sua estreia adiada em nove meses, este promete ser o filme que vai fechar o ciclo de comemorações aos 200 anos de Contos dos Irmãos Grimm.

Há 200 anos, Jacob e Wihelm salvaram o folclore germânico do esquecimento, nada mais justo que relembrar, refazer, mudar e ajustar estas histórias que fizeram e ainda fazem do ‘faz de conta’ a melhor forma de entreter gerações do mundo inteiro.

Agora, para ser um verdadeiro final feliz, deixe seu comentário, dúvida, correção ou sugestão nos comentários logo abaixo.

Assim viveremos felizes para sempre

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